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Porquê, não sei...

por Rosinda, em 31.05.12
Fotografia de Jorge Soares
NASCER ...
 
- Não, mais não… não aguento mais…
Mas, por mais que gritasse … a dor não desaparecia, nem se atenuava com as súplicas – uma dor interior, que lhe rasgava o corpo como nunca julgara possível acontecer.
A parte inferior do corpo… já nem a sentia. Primeiro um torpor, uma letargia enganadora que o convencera que aquela etapa seria breve, quase como que um adormecer.
Mas enganara-se.
Morrer, tal como nascer, não era fácil. Nem indolor.
Tentou mover a parte inferior do corpo. Os músculos não lhe obedeceram. Sob a pele, um frenesim de espasmos percorria-lhe o corpo, em ondas dolorosas que lhe toldavam a visão – deixava de ver.
À sua volta, uma névoa de fios brancos envolvia-o num casulo informe, reduzindo todo o seu mundo a um pequeno espaço sem luz, sem sons, sem cor. O final – pensou – é escuro e sombrio.
Uma dor mais aguda fê-lo contorcer-se, agitando-se convulsivamente.
- Já chega… que isto termine já… por favor…
Ninguém o ouviu.
Ninguém lhe atendeu o mudo pedido de um fim rápido.
Pouco depois, perdeu o controle da voz. Sons guturais escapavam da garganta, formando sílabas sem nexo ou sentido. Ao longo do tronco, a superfície da pele abriu fendas, e a vida começou a verter e a fugir-lhe do corpo, numa transformação voraz.
O ar, cada vez mais pesado, anunciava o fim.
Lutou com todas as suas forças, num esforço desesperado para se manter consciente. Mas era inútil.
A escuridão avançou, galopante… e ele deixou de ver. O casulo da morte cercou-o num manto espesso, enquanto o corpo se desintegrava, a um ritmo cada vez mais rápido.
Já não sentia dor, já não sentia nada.
O fim do mundo chegara.
E ele não podia fazer nada para o evitar.
Deixou-se levar…
 
Abriu os olhos.
Um céu azul brilhante recebeu-o de braços abertos, o sol ofuscou-lhe o olhar e de repente… descobriu que estava vivo.
- Estou vivo… estou vivo…
Estremeceu… e um par de asas douradas imitou-lhe os movimentos. O que se estava a passar ?
Voltou a olhar para o seu corpo… e não se reconheceu. Onde estava aquele ondulado macio, esponjoso, a sua barriga proeminente ? Onde estava a penugem finíssima que lhe cobria toda a parte superior do corpo ? Desaparecera. Tudo desaparecera.
No seu lugar, um par de asas deslumbrantes nascera-lhe no tronco, agora esguio e colorido, levíssimo.
Fechou os olhos, cego de luz.
Um aroma de polens perfumados envolveu-o, em êxtase absoluto.
- Então… morrer é isto… - balbuciou… - nunca conseguiria imaginar tal…
Estremeceu novamente e as asas douradas agitaram-se, elevando a pequena borboleta nos ares, trôpega e insegura.
A larva… toda a sua existência anterior, tal como a conhecia… não passava agora de uma mera recordação, cada vez mais enevoada e distante…
A vida continuava…
Uma leve brisa empurrou-a com suavidade e a pequena borboleta ganhou altura e partiu… rumo a um novo céu… e a um novo destino.
 

 Do blog entremares, escrito por Rolando Palma

(nasceu em 31-5-1962 partiu em 3-8-2011)

 

Farias hoje 50 anos... Estejas onde estiveres meu amigo, recebe o meu abraço19miniestrelasmgif

 

" Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

 

NOTA: Durante a semana passada várias vezes me lembrei do Rolando, achei normal, até porque gostava imenso de ler o que escrevia. Mas na segunda feira passada à procura de uma frase sobre "nascer"para o postal que fiz para a Marta, fui parar ao blog entremares, exactamente a este texto. Reparei então na data do aniversário dele no post anterior a este.

Porque acredito que nada acontece por acaso, resolvi deixar aqui o texto deste amigo virtual que partiu precocemente e de forma brutal.

 

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publicado às 00:07

FELIZ ANO NOVO

por Rosinda, em 30.12.11
Vou pedir ao novo ano ...?
Não...
Não é ao novo ano que eu peço coisa alguma...
Eu peço aos homens a consciência  e a consistência da palavra.
A honradez e a sabedoria sem vaidade, simples, como quem não sabe...
O amor, verdadeiro, partilhado por inteiro, por toda a humanidade.
Que as diferenças não sejam abismais e, se tratem todos como iguais.
Que em cada ano se renove a esperança de acabar com o chorar de uma criança...
Eu sei... é querer demais. Apesar de ser simples o pedido...
Deixem-me sonhar ou ter a ilusão,
 De poder um dia ver, um mundo mais amigo.
 
 Gostaria de poder descrever o ano 2011 em seis palavras , como é sugerido no inspira-me desta semana, seria impossível. Afinal o ano teve para mim muita vida... intensa em amor, em sofrimento, em decepções, em fracassos, em doença, em carência monetária. Mas foi muito bom, porque carreguei as minhas pedras e continuo a construir o meu castelo... 
 
Tenho andado um pouco ausente dos blogs, mas guardo por todos um carinho muito especial. Passadas as festas, voltarei como sempre aos vossos blogs e especialmente ao vosso convívio.
 
Renovo os meus votos de FELIZ ANO NOVO PARA TODOS
Um abraço
Rosinda

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publicado às 17:41

Estou de volta, para o meu aconchego.

por Rosinda, em 27.08.11
tubes ambiances déco
Voltei... mas um pouco cansada, tal como uma planta, precisa de um pouco de água para viver, eu preciso deste fim de semana para absorver um pouco do meu canto, da minha casa, dos meus familiares. Claro que tenho saudades dos vossos comentários e do vosso carinho, por isso aqui estou para vos dizer que correu tudo bem e que vos visitei todos os dias, visitas rápidas e sem palavras, mas andei por aqui a visitar os blogs.
 
Desejo a todos um Bom Domingo.
 
Porque quando existe amor no coração, tu meu amigo (a) nunca estarás ausente, ainda que a distancia que nos separa seja grande.
Rosinda

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publicado às 22:38

HOMENAGEM A ROLANDO PALMA

por Rosinda, em 09.08.11
[perfil_negro+-+Cópia.JPG]
 
Postagem Colectiva em homenagem ao nosso querido amigo ROLANDO PALMA iniciativa do Varal das Ideias um dos criadores da Tertúlia Virtual, espaço que desconhecia até esta altura e a quem agradeço a oportunidade de poder prestar uma pequena homenagem a Rolando Palma.
 
Era um contador de historias maravilhoso, lendo-o, acreditamos no amor na fé e na esperança. Sempre atento, deixava uma palavra sempre que se fazia necessário.
Este foi um dos comentários que me deixou e que no presente momento, me toca profundamente. Eu sei que não passavas simplesmente e queria dizer-te que, tenho pena por não te ter conhecido um pouco mais.
Acredito que um dia, nos juntaremos todos à volta da fogueira, tomando um cafezinho...
Dizem que sou boa cozinheira, prometo fazer uns bolinhos...
Ate sempre amigo... cruzar-nos-emos em outros lugares...
Rosinda
 
 
De entremares a 23 de Outubro de 2009 às 14:47
Sim, eu sei...

Estamos sempre a cruzar-nos... noutros lugares.
O que escreveste ( em várias ocasiões ) no Cantinho da Manu... faz-me vir aqui... sem escrever nada, olhar, simplesmente.

Queria dizer-te que sim, que a amizade é isso que escreves, talvez até mais coisas que nem escrevas.

Só isso.

Mas senti simplesmente que desta vez, precisarias que quem passa por aqui, não passasse simplesmente.
Mas que deixasse algo.


Tudo de bom para ti...
Rolando

 

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publicado às 07:26

Estranhas coícidências

por Rosinda, em 13.09.10

 

Já tenho dito algumas vezes, que nada acontece por acaso. Acredito que sim, mas por vezes ponho a mim mesma muitos porquês. É que por vezes fica difícil acreditar em coincidências.

Tenho um amigo invisual que tem uma série de lojas de produtos naturais, diz-se também "vidente" e é Quiropata. Bem, já utilizei os serviços dele como massagista e realmente posso dizer que funcionou e não mais tive "crises" de coluna.

Entretanto ele sabe que sou um pouco relutante em certas coisas no que se refere os poderes de "videntes" sou muito séptica. Acredito mais em forças de energia. Mas numa das sessões de massagem, (já lá vão seis anos) ele disse-me que eu tinha de ir a Fátima. Perguntei-lhe porquê... é que nessa altura nunca lá tinha ido, nem tinha vontade de ir. Fátima é para mim local de grande negócio , o Vaticano é uma das maiores fortunas do mundo... então porque não acodem as crianças que morrem de fome? Faz-me muita confusão... Abstenho-me de falar nesses assuntos para não ferir a susceptibilidade de ninguém.

Entretanto ele disse-me que quando chegasse a Fátima saberia a razão da minha ida. Bem, durante algum tempo fiquei a pensar...

Entretanto a minha amiga Joana todos os anos vai a Fátima. Vai daí contei-lhe o que se tinha passado. Disse então para eu ir com ela nesse ano, ficou ponto assente e reservou o meu lugar junto das entidades competentes que penso chamar-se "Irmãs de Maria" .

Iria então a Fátima em Maio de 2005.

Não fui. Fui operada com urgência e ficou adiada a minha ida . Entretanto e como o meu marido (agora ex.) quando vinha de férias estava cá três meses, acabei por lhe pedir que me levasse e levou...  Foi para esquecer, ele não teve paciência e acabei por nem entrar na Igreja.

Conclusão , fui mas era como se não tivesse ido....

Este ano, talvez influenciada por tudo o que se passou na minha vida, voltei a pensar no assunto. E quando a"Joana" me falou disso, dizendo que gostava que eu fosse, logo lhe disse que sim que marcasse que eu ia. Já foi há mais de um mês que tudo ficou combinado, eu iria a Fátima no fim de Outubro.  Pois... mas não vou! Então não é que a pessoa competente se esqueceu de reservar o meu lugar? Hoje a minha amiga telefonou-me muito triste... e eu disse-lhe; Hei...! Não fiques assim! Provavelmente ainda não é a hora! Ou então será que tenho de ir só para sentir sei lá o quê?  Mas que é estranho isso é! E claro... cada vez mais fico a pensar no que me disse o meu amigo...! Irei um destes dias, sozinha e sem dizer nada a ninguém...

Rosinda

 

 

 

 

 

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publicado às 19:09


"O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela." (Fernando Pessoa)


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