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Viver é...

por Rosinda, em 11.01.13

“Viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro…”

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publicado às 20:40

Porquê, não sei...

por Rosinda, em 31.05.12
Fotografia de Jorge Soares
NASCER ...
 
- Não, mais não… não aguento mais…
Mas, por mais que gritasse … a dor não desaparecia, nem se atenuava com as súplicas – uma dor interior, que lhe rasgava o corpo como nunca julgara possível acontecer.
A parte inferior do corpo… já nem a sentia. Primeiro um torpor, uma letargia enganadora que o convencera que aquela etapa seria breve, quase como que um adormecer.
Mas enganara-se.
Morrer, tal como nascer, não era fácil. Nem indolor.
Tentou mover a parte inferior do corpo. Os músculos não lhe obedeceram. Sob a pele, um frenesim de espasmos percorria-lhe o corpo, em ondas dolorosas que lhe toldavam a visão – deixava de ver.
À sua volta, uma névoa de fios brancos envolvia-o num casulo informe, reduzindo todo o seu mundo a um pequeno espaço sem luz, sem sons, sem cor. O final – pensou – é escuro e sombrio.
Uma dor mais aguda fê-lo contorcer-se, agitando-se convulsivamente.
- Já chega… que isto termine já… por favor…
Ninguém o ouviu.
Ninguém lhe atendeu o mudo pedido de um fim rápido.
Pouco depois, perdeu o controle da voz. Sons guturais escapavam da garganta, formando sílabas sem nexo ou sentido. Ao longo do tronco, a superfície da pele abriu fendas, e a vida começou a verter e a fugir-lhe do corpo, numa transformação voraz.
O ar, cada vez mais pesado, anunciava o fim.
Lutou com todas as suas forças, num esforço desesperado para se manter consciente. Mas era inútil.
A escuridão avançou, galopante… e ele deixou de ver. O casulo da morte cercou-o num manto espesso, enquanto o corpo se desintegrava, a um ritmo cada vez mais rápido.
Já não sentia dor, já não sentia nada.
O fim do mundo chegara.
E ele não podia fazer nada para o evitar.
Deixou-se levar…
 
Abriu os olhos.
Um céu azul brilhante recebeu-o de braços abertos, o sol ofuscou-lhe o olhar e de repente… descobriu que estava vivo.
- Estou vivo… estou vivo…
Estremeceu… e um par de asas douradas imitou-lhe os movimentos. O que se estava a passar ?
Voltou a olhar para o seu corpo… e não se reconheceu. Onde estava aquele ondulado macio, esponjoso, a sua barriga proeminente ? Onde estava a penugem finíssima que lhe cobria toda a parte superior do corpo ? Desaparecera. Tudo desaparecera.
No seu lugar, um par de asas deslumbrantes nascera-lhe no tronco, agora esguio e colorido, levíssimo.
Fechou os olhos, cego de luz.
Um aroma de polens perfumados envolveu-o, em êxtase absoluto.
- Então… morrer é isto… - balbuciou… - nunca conseguiria imaginar tal…
Estremeceu novamente e as asas douradas agitaram-se, elevando a pequena borboleta nos ares, trôpega e insegura.
A larva… toda a sua existência anterior, tal como a conhecia… não passava agora de uma mera recordação, cada vez mais enevoada e distante…
A vida continuava…
Uma leve brisa empurrou-a com suavidade e a pequena borboleta ganhou altura e partiu… rumo a um novo céu… e a um novo destino.
 

 Do blog entremares, escrito por Rolando Palma

(nasceu em 31-5-1962 partiu em 3-8-2011)

 

Farias hoje 50 anos... Estejas onde estiveres meu amigo, recebe o meu abraço19miniestrelasmgif

 

" Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

 

NOTA: Durante a semana passada várias vezes me lembrei do Rolando, achei normal, até porque gostava imenso de ler o que escrevia. Mas na segunda feira passada à procura de uma frase sobre "nascer"para o postal que fiz para a Marta, fui parar ao blog entremares, exactamente a este texto. Reparei então na data do aniversário dele no post anterior a este.

Porque acredito que nada acontece por acaso, resolvi deixar aqui o texto deste amigo virtual que partiu precocemente e de forma brutal.

 

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publicado às 00:07

Estou de volta, para o meu aconchego.

por Rosinda, em 27.08.11
tubes ambiances déco
Voltei... mas um pouco cansada, tal como uma planta, precisa de um pouco de água para viver, eu preciso deste fim de semana para absorver um pouco do meu canto, da minha casa, dos meus familiares. Claro que tenho saudades dos vossos comentários e do vosso carinho, por isso aqui estou para vos dizer que correu tudo bem e que vos visitei todos os dias, visitas rápidas e sem palavras, mas andei por aqui a visitar os blogs.
 
Desejo a todos um Bom Domingo.
 
Porque quando existe amor no coração, tu meu amigo (a) nunca estarás ausente, ainda que a distancia que nos separa seja grande.
Rosinda

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publicado às 22:38

TEMPO... VIDA...

por Rosinda, em 22.09.09

 

 TEMPO... VIDA...

 

 

             EU SOU O TEMPO NO ESPAÇO DA VIDA,

             ANDO LENTAMENTE... BEM DEVAGAR...

             OU ANDO APRESSADO, É UMA CORRIDA...

             DEPENDE DE QUEM... NÃO TENHO GUARIDA,

 

             SOU MUITAS DAS VEZES MAL APROVEITADO,

             MUITAS DAS VEZES NEM PENSAM EM MIM,

             E QUANDO DÃO CONTA ...TEMPO É PASSADO...

             DIZENDO ENTÃO... A VIDA É ASSIM...

 

             QUE  FIZESTE DA VIDA QUANDO ERA TEMPO?

             DEIXAS-TE PASSAR, E NADA FIZESTE...

             VIVIAS ENCAFUADO SÓ NO TEU  LAMENTO...

             TENS HOJE DA VIDA AQUILO QUE QUISESTE...

 

             OU MAIS DEVAGAR...OU MUITO DEPRESSA...

              E AS PESSOAS, NUNCA ESTÃO BEM...

              MAS O TEMPO NÃO SE INTERESSA...

              NÃO PÁRA... É O MAL... QUE O TEMPO TEM...

                                

                      (os meus versitos) M.R.F.H.

 

 A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei os meus dias a tentar prolongá-los. Usarei o meu tempo.
(Jack London)
           

             

 ATÉ BREVE...

 

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publicado às 21:14

POR AMOR (parte3)

por Rosinda, em 07.07.09

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

 O meu marido, continuou na Alemanha, ganhava bem, ia mandando algum dinheiro, que não chegava,quando vinha de férias ganhava menos, aí não dava quase nada. 

 

Enfim, foi-se tirando dinheiro do banco.Eu dizia algumas vezes:

Não entendo! Em vez de querer pôr mais no banco...estando emigrado, a ganhar bem,não!Sempre que tentava que me desse alguma explicação,havia discussão, mais uma vez deixeide dizer nada...nunca dei demasiado valor ao dinheiro!

A nossa relação quando ele chegava e enquanto cá estava, era quase de irmãos, pouco falávamos, e intimamente, quase não havia contacto. Fazia amor duas ou três vezes por ano,sempre

com dificuldade. Cheguei a pensar que tinha algum problema, porque ás vezes perto dos 50 pode haver problemas!

Depois de lhe pedir bastante, lá fez exames médicos, mas não se passava nada, estava óptimo!

Notei que ficou atrapalhado, mas dizia que era do trabalho, do stress

No fundo eu sabia... o meu sexto sentido dizia que havia outra.

Mas eu também sabia, que do dinheiro que tinha já não havia muito, o nosso filho estava prestes a entrar para a universidade dependíamos dele!!!

 Então que fazer?

Nada, simplesmente, só deixei de pensar em mim, esforçava-me para agradar a todos!

Ainda assim...quando eu pensava que não podia piorar...

Fez de tudo para me obrigar a ter uma atitude, reduziu ao dinheiro que mandava, levantou 5.000 euros da conta, não me quis dizer para quê, abriu conta só no nome dele, e pediu cartão de crédito! Conviver com a família... só á mesa na hora da refeição! Todos os dias saía á noite, sempre á mesma hora, e voltava sempre á mesma hora! (por volta da meia noite e meia) não era muito tarde... mas era um ritual.

 Podia acontecer o que quer que fosse, nada o impedia de sair!

Acabei por perder as estribeiras! Tentei falar com ele de forma correcta, só queria a verdade!

Não foi possível, como sempre deu a volta por cima! Disse ao filho que eu estava desequilibrada , convenceu os meus pais, até chorou! Dizendo que não tinha ninguém, que eu era a mulher da vida dele, só que eu devia estar doente e assim que era difícil aguentar.

Eu não estava doente, sabia que tinha que se passar alguma coisa! Fiquei atenta, mas quieta.

Normalmente, ele desligava o telemóvel quando ia para a cama, mas ouve um dia que o deixou na sala, ligado. Tocou, atendi e ninguém falou, só que o número estava lá, e verifiquei que estava também na agenda, mas era de um homem! Um nome estranho, e tinha demasiadas chamadas!

No dia seguinte, resolvi ligar, atendeu uma mulher... troquei o nome estranho que estava no telemóvel, para feminino, mas ela disse que era engano!

Embora com algum receio perguntei ao meu marido quem era o sujeito que ligou, ele ficou atrapalhado, mas disse que era electricista, que precisava de levar lá o carro...  Claro que não acreditei, não se liga tantas vezes e a horas impróprias para um electricista!

 

 E no próximo post vão ver que eu estava certa... infelizmente!

barres séparateurs St-Valentin

 

            VIDA DE MUITA AMARGURA...

            VIDA DE GRANDE SOLIDÃO...

            VIDA DE MUITA TERNURA...

            E AMOR NO CORAÇÃO...

 

            VALEU A PENA VIVER,

            POSSO SEM DÚVIDA, AFIRMAR!

            APESAR DE MUITO SOFRER,

            EU SEI O QUE É  "AMAR"....

 




 






 

 

 ATÉ BREVE.... 

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publicado às 16:07


"O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela." (Fernando Pessoa)


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